Entrelinhas e amores...
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
O garoto, os vinte reais e o pula-pula
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
A minha experiência como mãe de um bebê prematuro
Trouxeram minha pequena já numa incubadora. A vi de longe. Nenhum toque, nenhum afago, nenhum beijo. E seguiram com ela para a UTI Neonatal, onde passaria mais inacabáveis 21 dias. Era uma quarta-feira. Me levaram para o quarto para descansar e me recuperar da cirurgia. Até então não sabia que ela ficaria tantos dias longe de mim. Não pude vê-la na quinta-feira. Somente na sexta-feira, recebi a noticia de que poderia visita-la na UTI.
Na entrada da UTI, um ambiente alegre, com fotos de crianças que já haviam passado por ali e que traziam força e esperança para as que naquele momento encontravam-se na mesma situação. Só podiam entrar os pais e os avós, mas sempre um de cada vez, e por pouco tempo, para não atrapalhar o andamento das atividades dos profissionais. Entrei procurando o nome da minha “Beatriz” e não achei, até que lá no fundo vi “RN de Mariela Rios”. Era ela. Ainda que toda cheia de apetrechos necessários naquele momento que me impediam de ver sua carinha, seu corpinho...era a minha filha.
Todos os dias eu levava a malinha dela pronta. Nunca sabia qual poderia ser o dia da alta e toda visita era uma esperança. E todas as semanas levava um pacote de fraldas pra ela, que ficava guardado embaixo do leito. Mas observava que nem todos os bebês tinham fraldas em seus leitos. Perguntei a enfermeira e ela disse que o plano cobria fraldas, que não era preciso levar. Mas quando soube que muitas vezes elas tinham que cortar uma fralda para fazer duas e suprir a necessidade dos que nao tinham, eu disse que deixasse as que o plano cobria para os bebes que precisavam.
Abracei as enfermeiras, médicas, profissionais que dedicaram tanto cuidado a minha filha e somente agradeci. Era a unica coisa que podia fazer naquele momento. Desci a rampa, sorridente, passei pela primeira porta. Cheguei à portaria, falei com os atendentes que já estavam acostumados a me ver todos os dias e naquele dia eles sorriram diferente para mim, como se dissessem “que bom que deu tudo certo”. Saí dali sabendo que voltaria. Voltaria para fazer algo por aqueles bebês. Para fazer algo a mais por mim.
Mariela Rios é comunicóloga, pós-graduada em Leitura, Interpretação e Produção de Texto, graduanda em Pedagogia e mãe de um bebê prematuro que hoje está com 4 anos e uma saúde perfeita.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Carta Aberta

Aos meus pais, logicamente. À minha irmã por ter me ensinado a amar ainda mais e me fazer entender que o amor por ser dividido em partes iguais. Aos meus avós, tios, primos, primas por completarem tão perfeitamente o meu ideal de família.
Mas a parte maior desse agradecimento vai para os meus amigos e colegas que viveram comigo os meus últimos quinze anos de vida. Colegas da Ação Fraternal de Itabuna: Bruno, Vitor, Vanessa, Mariana, Gustavo, Guilherme,Maria de Lourdes, Glauber, Juliana, Lais Paula. Todos ficarão pra sempre em meu coração. Os meus eternos mestres: Marília, Rita Veloso, Guadalupe, Lívia, Marciel, Gil. Sim, vocês conseguiram me educar para a vida e os exemplos nunca serão esquecidos.
Obrigada também aos que fizeram da minha juventude momentos sadios de alegria: Rachel, Camila, Cíntia, Carol, Felipe, Wander, Isralso, Ana Paula Pazin, Ana Paula Carqueija, Iracema, João Vitor, Mardey, Marcos Ely, Danilo Suque, Jade Maria. A vida toma rumos diferentes, mas no coração o sentimento é o mesmo. Saudades de todos vocês.
Aline Mororó e Kátia Morais: colegas, amigas, irmãs,parceiras. Vocês fizeram toda a diferença na construção da minha identidade como mulher. As piadas, os choros, os desabafos, os conselhos... Levarei para sempre comigo a lembrança dos momentos onde discutíamos as nossas dúvidas, incertezas, “certezas de momento” (rs), questionamentos, confissões.
Como esquecer a pessoa que nos dá a primeira oportunidade de trabalho? Daniel Thame, obrigada por me fazer descobrir como profissional e por deixar a porta aberta. Ramon Amaral, Ricardo Ribeiro, Davidson Samuel, Cláudio Rodrigues, o velho “Biro Biro”, Rian Girotto, João Neto. Todos me incentivaram, me ajudaram, acreditaram em mim.
Ainda na parte profissional preciso agradecer a quem acreditou no meu potencial sem nem mesmo me conhecer e me ajudou a encontrar o meu amor também pela Educação. Nágila Rodrigues, você foi e será sempre especial.
À minha mais recente irmã e amiga, Cláudia Marchesin, que me ensina as delícias e confusões de uma “trintona”. Estou aprendendo com você, “amigôla”!
Ao meu esposo,amigo, amor, amante, parceiro...Cleisson. Por me aturar diariamente, me compreender, me ensinar que a dedicação no casamento deve ser diária e por me dar o presente mais valioso da minha vida, a pequena Beatriz. Amor sem explicação, sem comparação.
E aos que convivem comigo atualmente no trabalho, em casa, na rua, o meu muito obrigada por me oferecerem sua amizade e por estarem ao meu lado nessa vida que não é nada fácil, mas que em se sabendo viver e levar, tem-se recompensas inestimáveis...
sábado, 10 de dezembro de 2011
O verdadeiro significado da solidariedade

Solidariedade vem do latim "solidare", que significa, etimologicamente, "solidificar", "confirmar". A origem é a mesma do adjetivo "sólido", significando "que tem consistência, que não é oco, que não se deixa destruir facilmente".Sendo assim, ser solidário é muito mais do que ajudar ao próximo que precisa de comida, agasalho ou presentes de Natal.
É lembrar de cuidar de quem está próximo de nós. O abraço no pai, o “eu te amo” pra mãe, o “muito obrigado” ao amigo, o “bom dia” ao vizinho. Começando com pequenos atos de solidariedade podemos servir de exemplo para os que estão ao nosso redor e assim “solidificar” o ensinamento divino “ Ama ao teu próximo como a ti mesmo”.
Diante do mundo em que vivemos hoje ser solidário é uma das práticas mais importantes e necessárias. Práticas que devem ser repetidas sempre, em todos os momentos, e não somente na época Natalina. Confirmar o amor diariamente, para não se deixar destruir.
Alguém sempre estará esperando para se deixar amar. O amor de mãe, de pai, filho, amigo, namorado, esposa, avô, avó e do garotinho na calçada. Porque o princípio é o amor. Foi com esse sentimento de amor, de solidariedade, que Deus nos fez. E é esse sentimento que devemos espalhar sempre.Li, não lembro onde, algo que dizia mais ou menos assim: “você só morre de verdade quando a última pessoa que tinha uma lembrança sua, morre também.” Se as lembranças que deixarmos nas vidas das pessoas forem marcadas de atos de solidariedade e de amor, com certeza continuaremos vivos nos corações para sempre.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Lixeira que é bom...

Comecei a semana cumprindo a promessa de fazer exercício físico. Mesmo com o tempo chuvoso, levantei na segunda-feira e parti para a minha caminhada. Mas isso não foi o mais extraordinário que aconteceu!
Saí comendo uma maçã, já que lembrei que não é aconselhável fazer exercício em jejum. E aí sim, o extraordinário: voltei pra casa com o que restou da maçã porque simplesmente não encontrei uma lixeira durante todo o percurso na Avenida Beira Rio.
Plaquinhas de conscientização como “respeite a natureza”, “jogue o lixo na lixeira..e não no Rio Cachoeira”, tinham de sobra. Mas lixeira que é bom...Como imaginar uma cidade como Itabuna sem lixeira nas ruas? Esse é mais um dos problemas que a cidade vem enfrentando e que são coisas simples, que poderiam ser resolvidas facilmente. Eu fico imaginando as coisas complicadas, que o cidadão não pode ver.
Como ensinar a minha filha que lixo se joga no lixo e não nas ruas? Já posso até prever as perguntas dela: “mãe, por que não tem lixeira? Tenho que esperar até em casa pra jogar esse papel no lixo?” Vou cumprir meu papel de cidadã e fazer como fiz com a minha maçã. Chegar em casa e fazer o certo, mas nem todos vão fazer isso e aí surgem os outros problemas como bueiros entupidos que causam uma total desordem na cidade.
Essa é uma realidade presente não só no centro da cidade, mas em vários outros locais. É claro que cumprir com os deveres de cidadão é o que todo indivíduo deveria fazer mas o poder público também deve cumprir os seus, entre eles oferecer meios para que a cidade fique limpa e colocar lixeiras é o mais simples de todos eles.terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Balina e eu
Eu a encontrei com quatro meses de vida. E o encontro foi um tanto inusitado. Ganhei Balina às custas de um “porre” do meu pai. Sim, isso mesmo! Com um monte de gente buzinando no ouvido dele:”Vai, Zelito, assina o cheque e dá logo a ela!” Oitenta reais. Esse foi o preço de Balina.
Quem pagou caro mesmo foi minha mãe que num ato de desespero nas minhas tantas choradeiras pra ter um cachorro, disse que aceitava, mas com uma condição: ela escolheria o nome. E assim Balina foi batizada.
O amor foi tão grande que no primeiro dia que ela chegou, na nossa primeira conversa, ela me entendeu e atendeu: “fica boazinha, dorme aqui na almofada e não chora, senão mainha não deixa você ficar.” Ela dormiu. Eu passei a noite acordada, encantada com aquele “bolinho de pelo”.
Eu ficava antenada o dia todo, correndo atrás de Balina pra limpar o que ela fazia de errado na casa, antes da minha mãe perceber. Nessas horas meu pai sempre foi meu cúmplice e limpou incontáveis xixis e cocôs antes de a “dona encrenca” encrencar! Acho que esse amor por animais eu herdei de meu pai. Mais uma especial herança pra eu me orgulhar.
Bali sempre se mostrou uma companheira fiel. Fidelíssima, aliás! Que o digam meus namorados! Encostar era difícil! Quantas criancinhas sofreram com o ciúme de Balina quando brincavam comigo! Até a minha irmã sofreu com o gênio forte de Balina! E olha que Camila nunca deixou barato! Rosnava junto com ela e enfrentava toda a vez que Bali não deixava ela entrar no quarto enquanto eu dormia.
Ai,ai. Hoje vejo Bali com quinze anos de idade. Vivendo no lucro. E ainda tendo que suportar a dor de um novo amor ocupando o meu coração: minha filha. Mas o mais interessante é que ela deixa Bia conviver com ela tranquilamente. Realmente só um amor assim pode perdoar o meu afastamento necessário. Meu colo ficou bem difícil e os carinhos um tanto quanto esquecidos.
Mas o amor existe. Agora estou num grande dilema com Bali. Escrevo para desabafar e tentar encontrar a melhor solução pra nós duas. Estou realizando um sonho, mas ela está impedida de participar do sonho comigo. Coisas da vida. Agora olho pra ela e tento fazer com que entenda. “Bali, fica boazinha e me perdoa. Fica bem.”
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Serviço de som: a cultura que informa

A comunicação sempre foi algo indispensável para a sobrevivência do ser humano. A interação com o meio é fator determinante para o desenvolvimento do indivíduo em sociedade, como afirma o teórico Vigotski, em sua teoria a respeito da formação do ser humano. “O homem é um ser social e as condições sócio-culturais o transformam profundamente desenvolvendo uma série de novas formas e procedimentos no seu comportamento.”
Essa interação só é possível graças à comunicação, seja ela visual, auditiva, ou das duas maneiras. Nos dias atuais, a modernidade tem feito algumas pequenas mudanças no processo de comunicação, porém nada que interfira na aprendizagem.
O homem é uma consequência das influências ou forças existentes no meio ambiente. A hipótese de que o homem não é livre é absolutamente necessária para se poder aplicar um método científico no campo das ciências do comportamento.
Mas algo interessante ainda chama a atenção, e por isso a intenção de quem agora escreve esse artigo ainda fazer desse algo um objeto de estudo, num mestrado, por exemplo. Trata-se de uma cultura que começou há muitos anos e que permanece viva até os dias de hoje, sendo peça fundamental na arte de informar e comunicar: o serviço de som.
A cultura de informar através do serviço de som extrapola os limites de um simples meio de comunicação, que se preocupa com propagandas, divulgação de serviços. Desenvolve, acima de tudo, um papel social, contribuindo diariamente no andamento da cidade, com informações que vão desde os nascimentos, mortes, enterros, até reuniões em igrejas marcadas de última hora.
Enfim, tudo está intrinsecamente ligado ao que é noticiado no serviço de som que, geralmente, está presente no centro da cidade. Mesmo com a informática, televisão, rádio e outros avanços da tecnologia, essa cultura ainda permanece e é de grande importância para os indivíduos.
Talvez essa realidade ainda exista em decorrência dos fatores sociais e econômicos. Como se trata de cidades com pequeno número de habitantes e locais onde a economia não evoluiu de forma expressiva, o modo de viver continua sendo o de anos atrás, onde geralmente o que movimenta é a pecuária e a agricultura, com pequeno espaço para o comércio.
Dessa forma, a tecnologia não encontrou meio para se fazer presente na vida de todos os indivíduos e a única maneira de informar continua sendo os veículos mais simples como carro de som, rádio e o serviço de som. É importante não deixar morrer essa cultura que já faz parte de uma linda história, das vidas de milhares de “Marias” e “Joãos” que aprenderam na prática a importância das representações culturais, da identidade e da necessidade de se manter viva a memória de um povo.